Décimo-sétimo - Singulares
16:33
Saber que numa fracção de tempo o intenso da surpresa é o que mais vale, é aproveitar o máximo sem empecilhos e medo de magoar alguém que se ama. O que é a fidelidade se não ser fiel a si mesmo, e ao que sente? E todos aqueles namoricos terminados pelo acréscimo de uma terceira-pessoa, besteira adolescente. Se não completo estar, do que vale uma meia pessoa? Uma meia vida, um meio sonho realizado? Uma pessoa meio feliz? Nada!
O valor de uma noite bem feita, ou dez noites, sem regras e números, sejam quantas for, que sejam inteiras de vós. Que ambos queiram estar na presença. A intensidade não se valida por tempo, quem nunca se apaixonou no ônibus? Você se apaixona pelo o que tem de mais puro, sem promessas, sem demais sonhos, ao saltar, tudo acaba. Feliz de quem já teve esse privilegio.
Não pense que é fácil, a pergunta é: Porque você quer concretizar tudo isso? Estacionar em algo que talvez não te complete? No final de tudo isso, você acaba sem a luz que a vida te proporciona, você não fica de mãos dadas ou se deita até se decompor com alguém. O que fica é o que você fez.
O prazer da companhia, aquele sorriso que você veria por toda vida, ou até quando fizesse sentido. As palavras que despeja na emoção a primeira vista, depois daquele beijo intenso que te faz flutuar, sem a menor intensão de materializar pelo eterno. Besteira tudo isso, melhores são os momentos felizes, no final é dele que lembraremos. Datas, comemorações... São só fruto do nosso futuro esquecimento, o que vale é agora, e se amanhã já não tiver mais vontade deixa o tempo que nunca se faz tarde, dizer qual vai ser o próximo tom da conversa...
Ela é se doar por completo na sua forma mais feliz, quer a surpresa no fim de tudo isso. Aparecer quando a intensão for realmente ficar, vontade essa que não se constrói na base de palavras... Se fosse só as palavras no fim dormiremos com livros. O prazer é o perigo de apostar em alguém, ter o que essa pessoa te proporciona. Aquela emoção de ter dois pensamentos singulares pensarem no plural. E o amanhã de nada vale, porque já não temos nem a certeza de que ele chegará.
1 comentários
Ótimo texto, amei.
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