O cara, a mina e o domingo.

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Tinha o aspecto desleixado, e seu jeito de andar comprovava isso.
Seu cabelo naturalmente cacheado, ia até a cintura, cheio, jogado pro lado. Seus lábios alternavam a dura linha reta, ao sorriso debochado, quando a graça só ela entendia.
Preferia seu mundo, ao mundo. A música sempre estava no último volume deixando bem claro o recado "Não perturbe".
Por fora era literalmente a garota que nenhum cara chegaria, talvez por medo. Porque ela conseguia ser tudo de uma forma inversa, só não sei como explicar.

Ele já fazia listas com nomes, nomes que não tinham significado algum, a não ser o de preencher o ego. Ele se escondia atrás de uma linha dura, eficaz. Funcionava com todas, ele havia um Q mistério, com perigo e horas divertido, mas não o tipo de diversão que te faz rir, e sim aquela que faz as garotas pirarem, virarem poetas até. Talvez por ter o que se preocupar, ou ter o que por rédias. O perigo de ser machucada por um cara qualquer, o prazer de inverter os papéis e faze-lo sofrer. Ou até de mudar o cara e dizer por fim "poxa, ele era do mundo, agora é meu". Talvez os caras sem essa "diversão" torne-se um pouco menos interessante.

Se fosse descrever esse cara em outras partes, porque nenhum ser tem uma única personalidade, depende do humor... Ele era inquieto, e medroso. O medo não era comum, como tudo nele. Ele literalmente tinha medo dela. A verdade é que eles cresceram juntos, e sentam sempre um ao lado do outro na faculdade, iam a shows juntos, praia, cinema, biblioteca e até dormiam no mesmo quarto as vezes, mas era essa proximidade que o fazia sentir-se seguro, porque de todos os seres do mundo, ele era o cara para quem ela contava os segredos, e conseguia ser doce. O inverso do que ela queria mostrar ao mundo. Ele a temia, porque toda vez que ela ficava brava com seus rolos, ele sentia uma tremenda onda de calor, de raiva. Uma raiva tão absurda, que poderíamos dizer que era ciúme, mas essa personalidade estava escondida por trás de outras com as cascas bem grossas. Medo porque ele nunca consegue decifrar seus sorrisos, porque ela tem vários, mas sempre misteriosos, ela nunca diz o que ta pensando na hora, talvez ela primeiro arquitete todo um drama, uma mentirinha, uma ocultação antes de expor, tudo na "real".

Todos os domingos eles estavam juntos, assim como todos os outros seis dias, mas os domingos tinham toda uma tradição, ele ia até a casa dela. Esse em especial ele estava de calça skinning preta, blusa roxa e jaqueta preta, uma boot masculina o que combinava bastante com sua forma física. Magro, mediano, branco, cabelo bem cortado, tatuagens no braço direito e brinco. Quando ela abriu a porta do AP e o mandou entrar, seus cabelos estavam mais cheios que o normal, e seu vestido era justo e de mangas longas, preto, com uma meia preta até um pouco acima dos joelhos, de pés no chão e uma taça de vinho na mão. Depois de vê-la assim, sentiu sua mão soar.
Ela estava um pouco diferente dos outros dias, seu nariz estava com a ponta vermelha, que os faz ficar confuso, porque ela nunca saía do seu papel de durona. Depois de cinco minutos de conversa, ela o abraçou bem forte, pousando as mãos em suas costas, esse cara sentiu o corpo tremer só com um abraço dessa mina. Trocaram algumas palavras, mas esse domingo não era literário, redário, estava mais para químico, físico, anatômico. Depois de muitos sorrisos, ele pôs a mão em seu rosto para tirar o cabelo que estava tampando seus olhos, ela o olhou nos olhos e mordeu o lábio inferior, depois de ficarem assim, olho no olho por alguns segundos, foram ficando mais próximos, até que a mão dele deslisou até a perna dela, e seus lábios estavam tão próximos que a mão dela na nuca dele estava dobrada, até que seus olhos finalmente seu fecharam, e suas bocas selaram.


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