Vencendo a guerra dos desejos
20:10Não fazia parte do roteiro. Eu tinha uma lista anotada num pequeno bloco, e o primeiro era não...
Seus olhos eram portadores de dor. E seu sorriso era amargo, ele as vezes tentava demonstrar algum humor hilariante na sua risada, mas não era isso que entendia. Ele era o exemplo certo de tudo que era um erro ao meu ver. Tinha o tipo de que não queria nada com a vida e vivia o momento como se fosse seu ultimo segundo. Dormia ao dia e a noite se misturava ao mistério. Cigarros, mulheres, outras drogas, sexo.
Enquanto da janela do meu quarto, eu preferia contar as estrelas do que voltar a vida real. Preferia tons claros, e flores. Cheiro delas, cor delas. Consistência delas. Era tudo muito equilibrado e esquematizado nos seus mínimos detalhes. Acordava, abria a janela e sorria para o sol. A noite cinema com os amigos ou estudar para a prova de química. Da matéria eu entendi, mas na prática era diferente.
Nos esbarramos por um desses encontros que o destino promove,
eu estava atrasada como sempre,vivia viajando no meu mundo e me perdia nas horas, então andava de pressa e o tic tac tum do relógio estava me deixando louca, cega. Mal via o que estava na frente.
Ele estava andando serenamente e nossos corpos se esbarraram, uma eletricidade tomou conta do meu corpo, e meu coração acelerou, na hora é claro que eu não entendi nada, mas se hoje estivesse me observando por alto, diria que nascia um sentimento incomum ali. Ele pegou no meu braço com tanta raiva, e seus olhos me penetraram. Senti quase dor, se meu corpo não estivesse dormente. Respirei tão fundo e pude sentir o ar se mexer dentro de mim, e ele me puxou para tão perto e pude sentir seu halito quente, tão quente; possível de aquecer meu mundo submerso. Não disse nada. Eu não disse também. Subi as escadas correndo, para aula de química.
Desculpe professor Sr. Químico, mas acho que tenho um novo experimento, digo tenho um novo fato, a explicar — Cócegas no coração, oras bora, não riem. É verdadeiro. Eu estava lá, aliás eu senti, eu sou um experimento. Vontade de unir lábios, de entrelaçar mãos em volta do pescoço, ficar na pontinha do pé. Vontades. Vontades infinitas e desculpe professor se esse texto parecer repetitivo, mas senti. Vontade de puxa-lo e olhar mais em seus olhos e horas desviar o olhar para seus lábios, e mais vontade de unir lábios. E outras cócegas a mais.
É claro que não disse, mas se tinha certeza de uma coisa era que tiraria zero nessa prova, depois de hoje, química não era mais tão fácil.
Não fiz nada para ter essa sensação mais uma vez — não queria ser um experimento químico. Tinha medo disso. Prefiro literatura e seus romances em falar nisso, eu terminei o meu para a redação da Srta. Literária, bom, ela era legal e me dava a deixa de livros e mais livros onde os casais eram felizes final, depois de muita guerra e amor. A história que eu escrevi por exemplo, estava tendo um guerra e o carinha principal sempre fez de tudo para menina principal se safar bem da história e depois eles se beijam muito e fim. Sempre que pensava nos beijos, me lembrava dos lábios finos em linha reta dele. Três tapas na cabeça e repeti pausadamente: — Não. Posso. Me. Apaixonar.
União de turmas, ele e eu na mesma sala. Ele era mais velho, mais alto e tinha cheiro de ervas. Seus dedos batiam na mesa, de alguma forma, ele estava ansioso. Notei que ele também mordia o canto do lábio, e estalava o pescoço. Quando nossos olhares se encontravam, eu virava o rosto, seu olhar me dava uma sensação de arrepio, e não queria que ele notasse que eu estava arrepiada. Quando ele levantava a sobrancelha direita, tive a certeza que ele podia ler a minha mente, se ele fosse um desses anjos caídos ou vampiros que os romances da moda estão descrevendo, espero que ele se torne bonzinho também, pois seu olhar me causava medo, e de uma forma estranha uma enorme vontade de pega-lo e beija-lo.
Que beleza, só pude ouvir a voz tremula da Srta. Literária dizendo que deveríamos fazer o trabalho de casa juntos e que deveríamos pensar num tema até o fim da aula. Eu e ele decidimos, eu escolhia o local de trabalho e ele escolheria o tema. Minha casa, "Vencendo a guerra dos desejos".
Conversamos, ele tinha um sotaque carioca que fazia sua voz roca acelerar meu coração, provocando um latejo na garganta. E era muito engraçado, fazia comparações de coisas, e via o outro lado de todas as histórias. E uma solução questionável para todas os problemas... E ai o destino, os cupidos, os anjos ou os demônios... Não sei, resolveram fazer mais uma de suas brincadeiras.
Sentados no chão da minha sala em volta da mesa de centro, eu na direita, ele na esquerda. Estávamos discutindo, mas calma. Respira. Não é uma briga, até podia ser uma, mas era divertido, discordar e ver ele explicando suas teorias, ele ficava nervoso e sua veia fica exaltada, e eu continuava a me arrepiar com seu olhar. Seus olhos ficavam tão negros e brilhantes, que me davam medo. Mas tinha desejo. Fiquei de pé, e ele continuava a tentar me convencer, se ele soubesse o que eu estava pensando, talvez risse. Eu estava rindo por pensamento, aquele riso frouxo que a gente da, quando ama ver a carinha da pessoa brava. Ele ficava lindo bravo. E então eu comecei a falar, e falar e fugir do foco principal do trabalho, nessa hora eu estava numa guerra contra o meu desejo, num impulso do momento ele me puxou, e por uma eternidade, nossos olhos alternavam de boca para lábios, de lábios para boca. E ele me puxou mais, fazendo-me ficar em silêncio. Não pensei em mais nada, perdi a guerra dos meus desejos, quando ele deixou seus lábios tocarem aos meus.
Ele pois suas mãos nos meus braços, e fechamos os olhos. Quando notei, minhas mãos se já posavam em sua cintura, o puxando para mais perto, pude sentir seu beijo ficar mais forte, e a intensidade só aumentava.
Vinte dois minutos depois, já estávamos quase terminando o trabalho, mas não quisemos da nomes aos personagens, e nem por regras, ou listas na história. Resolvemos deixar tudo por conta da imaginação Literária e se ela perguntasse, talvez diríamos — De o final de acordo com sua vontade.
E se sentirem falta de descrição ou nomes, talvez pensemos. Melhor não deixarem descobri, que essa história é sobre você e eu.
... Me apaixonar.
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