História paralela - Carla e Gabriel
20:47"Por mim a história terminava aqui, ou terminaria a um ano atrás quando certas brincadeiras pararam de ter graça… Eu não paro de suspirar, eu não paro de tentar me entender, minha cabeça ta confusa, eu achei que para sentir certos sentimentos, eles precisavam ter um despertar legal, quem sabe uma história de amor como essa que eu vou contar e eu queria que fosse a nossa, que não tem nada haver com a nossa realidade."
Estavam numa festa, Gabriel e Carla, Carla era uma menina meiga e tímida que qualquer “oi” a deixava com vergonha, simples de aparência, cabelos longos, alta e curvada. Gabriel era um menino simpático, rodeado de amigos, de boa aparência. Os dois foram a festa com objetivos diferentes, Carla querendo livrar-se da timidez, conhecer pessoas legais e talvez mudar a mesmice que sua vida se encontrava; Gabriel, queria encontrar amigos que já não via, e talvez beber, talvez dançar. Gabriel estava em um momento muito complicado da sua vida, ele queria algo que não sabia explicar, talvez ele precisasse mudar sua maneira de ser, sempre foi tão simpático com todos, sempre teve tantas pessoas ao seu redor, ele tava precisando saber quem era de verdade, e talvez seus lábios estivessem cansados de tanto sorrir. Gabriel senta-se numa cadeira que se encontrava do lado de fora da festa, na beira de uma piscina e lá ficava olhando para o vento que movia as arvores, e para estrelas unidas no céu, e tentava fugir de toda aquela agitação. Carla diferente queria chamar atenção, sempre foi à menina que ninguém ia lembrar na escola, não era boa aluna, mas também não era a pior. Não era feia, mas também não era a mais bonita. Carla era na verdade a discrição e enigma, os poucos amigos que tinham, não era próximos, não saiam juntos, não dormiam juntos. Carla era tão pacata que poucos meninos ela tinha beijado.Ela tinha seus momentos, que quando perdia a vergonha, falava por horas sem parar, ria e tinha uma risada bem engraçada, não era perfeita e nem usava as roupas que todas as meninas queriam usar, ouvia Legião urbana e Forfun. Carla ria de coisas idiotas e não entendia piadas sacanas. Ela estava na fase de que agora era mulher, com fragmentos de meninas. Era mulher para, colocar um vestido preto tubinho, com uma sandália extremamente alta; era menina em seu sorriso meigo e desvio de olhar. Ao chegar a festa, ela tinha um desafio, talvez perder todo o medo de fazer novas amizades e tirar a terrível sensação de que todos estavam olhando… Carla não conseguiu, ao chegar na festa todos a olharam, não porque ela tinha mudado o cabelo, ou colocado uma roupa diferente, porque pela primeira vez ela chegou com os ombros certos e levantados. Mais atitude, todos a olhavam e Carla ia entrando em desespero, tava com vontade de sair dali correndo e respirar ar puro (que para ela, ela o ar que ninguém respirasse a sua volta, Carla queria estar sozinha); mal ela sabia que todos estavam admirando a sua beleza diferente… Chegou mais perto da mesa e pegou uma cerveja, Carla queria ser o que não era, e então um garoto do qual não se sabe de onde surgiu se aproximou e ao pé do seu ouvido falou: - Você tão linda assim, está realmente sozinha? – Carla suspira – Não! Quer dizer… Sim. – Você quer conversar? – Oi? – Gata você quer conversar? – Desculpa, não ouço o que você diz. – Aceita um cigarro? – Carla acende e o fuma. Sem nunca ter colocado se quer um cigarro na boca, sugou a fumaça e sentiu-se meio tonta, e escorando nas paredes foi até a área externa da festa… Ao chegar Carla encostou-se à parede e chorou naquele momento ela nem sabia o motivo por estar chorando, não sabia se era de tristeza ou de desespero.
Gabriel estava pensando no que ele estava fazendo ali, não estava com vontade de ir, ri e nem de conversar com ninguém, na verdade ele tava cansado demais de todas aquelas pessoas. Carla parou de chorar e depois de ter respirado bastante, ficou na porta (que era uma porta de vidro que dava direto para piscina) e vendo todos os garotos dançando, bebendo e fumando. Dançando músicas com bases remixadas fora do ritmo, e com letras americanas. Também não entendia o que estava fazendo ali, na verdade o objetivo dela nunca foi ter mais uma decepção idiota ou esperar por algo que só via em filmes de romances. Então virou de costas e sentou na beira de piscina com os pés dentro da água, e ao balançar os pés, lembrava de coisas que fazia quando tinha 15 anos, e do que sua melhor amiga na época diria para ela: “Desse jeito, você não vai ficar com ninguém, você tem que viver Carla, quando você tiver 30 anos, vai querer voltar no tempo e fazer tudo que não fez e não vai ser possível hein, só se você fizeres o pó, virar pirim pim pim”… Gabriel ouviu a água da piscina balançando e ao olhar para trás se deparou com Carla, rindo sozinha, sentada ali como se tivesse fugindo do mesmo medo que ele e a olhar seu sorriso o coração dele pulsou, seu corpo esfriou e esquentou; suas mãos soaram e Gabriel como não era tímido foi se aproximando, e Carla o viu, e fingiu que não tava o vendo, mas Gabriel sabia que na verdade ela tinha o visto, mas seu rosto tinha congelado no sorriso constante que o fazia querer sorrir e Carla sem saber já era o motivo do sorriso de alguém, Gabriel tirou seu tênis e jogou para trás e sentou ao lado de Carla e junto a ela colou seus pés na água, e a perguntou: - Você também ta olhando as estrelas? – Ela sorri. Na verdade ela não sabia o que falaria, sua garganta tava seca e suas pernas tremulas, era uma sensação ruim, o coração não batia em um só compasso, batia rápido, forte, devagar e parava ao som da sua voz. Então permaneceu em silêncio. Gabriel insistiu em falar: – Sabe. Eu nunca vi um sorriso tão lindo quanto o seu, tão sincero e daria um beijo nele se você me contasse o motivo dele e o motivo do meu, nada mais é do que ele… Carla então sussurrou algo que mal dava para ouvir ( Carla havia falado que o motivo da graça era ela), não se entendia o que ela dizia e Gabriel então resolveu que deveria ficar quieto, e os dois ali ficaram já não estavam entendendo o que faziam ali, por hora vinha certeza que era loucura ficar ali com uma pessoa do qual nem se quer sabia o nome, e por outra vinha a certeza de que ali estava a coisa que sempre se procuro. Um sorriso lindo, e um interesse encantador por decifrar histórias pessoais, das quais nenhuma outra pessoa havia jamais se interessado.
– Eu na verdade ria de mim mesma, eu tenho essa mania. – Disse Carla.
– Por que você riria de você? – Disse Gabriel.
– Sempre quis crescer para fazer coisas óbvias, sempre quis trabalhar, fazer faculdade, morar sozinha em um apartamento pintado da minha cor favorita com móveis velhos e geladeira vermelha. Hoje em dia eu tenho todo o material, mas o sentimental que queria adquirir com isso não eu não consegui; talvez eu precisasse ser criança novamente…
– Talvez se você voltasse no tempo, faria tudo da mesma forma.
– Não se eu tivesse a consciência das coisas, que eu tenho agora.
– Talvez você ainda não tenha descoberto sua essência. A vida sempre nos trás a, caminhos desconhecidos, mas a vida é desconhecida e extinta, nem toda história tem o mesmo caminho, nem todo romance é igual, nem toda a história policial tem o mesmo crime… Às vezes pode ser cruzada, com histórias iguais e lógicas diferentes, talvez alguém “desejaria” ser você, talvez alguém “desejaria” ser eu… A verdade é que temos que nos descobrir sozinhos sem pensar em descobertas.
Gabriel pegou nas mãos de Carla e as sentiu quente, e Carla então pensava – É como se fossemos o oposto de tudo, eu tão quente, ele tão frio, tão calmo. Carla suspirava e pensava no que Gabriel tinha dito, cada palavra seria melhor entendia se ela houvesse a escrito, então lembrou que ele poderia pedir o número do telefone dela (Carla jamais ofereceria para ele), talvez para trocarem mensagem. Carla mal havia terminado a conversa ali e já imagina ele mandando sms desejando bom dia. Gabriel se sentia em paz ali, nunca tinha acontecido isso com ele antes, foi tão rápido, um golpe do destino talvez, ele tava tão fugitivo dessas coisas todas, até preferia tratar com certo desprezo as meninas que se aproximavam dele, mal sabia elas que Gabriel era assim porque jamais havia experimentado o amor e suas mãos foram esquentando, assim como todos os sentimentos e derretendo o gelo que se encontrava o coração. E tudo começou ali, com conversas intermináveis, nem ligando para festa que estava lá dentro; a noite terminou com troca de telefones, olhares e sorrisos. Carla estava em estase. Gabriel apaixonado. Gabriel ligou para Carla e foram ao cinema, mal viram o filme, mas acharam super interessante o final. E por semanas foi assim.”
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