SER AMADO - CAPITULO 1
16:55Cause nostalgia? Parte 1
Depois de cinco tentativas de falar comigo, prometi a mim mesma que quando Arthur me ligasse pela sexta vez, eu o atenderia, e não é que ele tentou mesmo a sexta? Dez pontos para ele, que não desistiu de mim tão fácil e se interessou por mim, depois deu ter dado as costas para ele, sem ao menos dizer Adeus. A gente já não tinha nada a ver, ele era sério, e viajante. Eu quero coisas leves e permanentes, se é que é possível viver feliz para sempre, sem morder uma maçã envenenada, ou passar pelo lobo mau. Ficamos exatos 30 minutos no telefone, e ele me explicou bem o que tinha vindo fazer no RJ, na sua viagem de cinco anos, descobriu que estava precisando parar, e já falava quase todos os idiomas, uns até que não conheço. Ele era legal, fazia brincadeiras, porém seu olhar não escondia o quão preocupado com seu futuro estava com 22 anos, e iria fazer medicina, o que era esperado, no EUA e ficaria mais sete anos fora do Brasil. Arthur tinha perdido o pai, e sua mãe tinha dinheiro. Sua irmã tinha se casado e ido morar em Curitiba, não tinha filhos. Então ele vinha buscar sua mãe para morar com ele. Sei que fui um pouco grossa, não quis me despedi dele por telefone. Dessa vez não queria perde-lo. Não, eu não queria reacordar o meu primeiro amor, o primeiro amor é o mais intenso e imortal de todos. Eu não podia perdê-lo mais uma vez. Mas era impossível não lembrar como era viver sem ele, então antes de desligar o telefone, tive quase a certeza que ele também estava com os olhos cheios de lágrimas, os meus já tinha esvaziados e enchido novamente. Ele também estava vendendo seu apartamento, num lugar ótimo. Lindo, fresco e próximo a minha faculdade, o que ideal para mim, que queria fazer amigos, e ter menos trabalho para chegar à faculdade. Fora que para meu estágio como Editor me consumia muito tempo, então seria mais uma grande economia para mim e teria mais tempo para quem sabe me divertir de maneira liberal. Era a desculpa perfeita para ver meu antigo amor e meu novo apartamento, marcado a hora do encontro, desligamos.
A minha renda não era tão grande, mas a meu pai tinha dinheiro. Ele era Juiz e ficou muito revoltado quando não quis seguir sua carreira e meus outros três irmãos também, então ele não tinha muita paciência para diálogos grandes comigo, então se eu pedisse algo, por mais caro que parecesse, ele me daria, só para eu sair de seu escritório e deixa-lo em paz. Minha mãe tinha viajado, para cuidar de uns negócios pessoais, e a nova esposa do papai que tinha quase a minha idade a provocava muito, tenho quase certeza que minha mãe era uma cinquentona depressiva e revoltada que gastava do dinheiro do meu pai, para sentir melhor, e nada como ir para Paris. Conseguido o dinheiro para meu novo apartamento logo na manhã seguinte, disse para meu pai que alugaria meu antigo, assim não tendo que pedir mais dinheiro para ele, se não fosse parecer paranoica, senti meu pai me dar um suspiro de alivio. Tinha marcado com o Arthur as 10hrs, ao chegar ao seu apartamento, meu coração acelerou. Ele estava de regata branca, shorts e chinelo de dedo, o cabelo bagunçado, com uma xícara de chá na mão, abriu um sorriso enorme a meu ver, e num gesto inusitado o abracei tão forte, que quase senti nossos corpos se unirem e formarem um só. Conversamos por horas, já que tinha faltado à faculdade e hoje não tinha estágio. Depois de tudo resolvi, ele voltou a me lembrar que ia voltar para o EUA, que iria para Curitiba no outro dia, para se despedir da irmã.
A sala dele era bastante confortável tinha dois sofás um de frente para o outro, e ele estava sentado a minha frente. Ele tinha um sorriso tão branco, e uma mania linda de morder os lábios de vez em quando, algo que por hora me fazia pensar em como eu queria beija-lo. E mesmo que pareça maldoso, as vezes sua voz sumia para da voz ao meu pensamento louco de ir até ele e beija-lo, não tinha perguntado muito da noite passada e não sabia ao certo se eu estava realmente solteira e como eu já tinha dado um fora nele, acho que ele não teria coragem de chegar em mim novamente. Mas a nova Ana, que eu estava querendo ser, desceu do sofá e deu duas joelhas no chão que a levou até entre as pernas dele. Olhei fixamente em seus olhos, passei a língua nos lábios, e fiquei de joelhos na sua frente, altura suficiente para alcançar seus lábios, o beijei intensamente, como se aquele fosse a ultima vez que faria isso de novo, e logo ele se rendeu. Depois de vários beijos demorados, ele tinha me puxado para mais próximo ao seu corpo, pois as mãos em meus ombros e abaixou as alças da minha blusa...
Abri os olhos e já eram 15hrs, estávamos no chão da sala, ele parecia um anjo dormindo. Seria bom me apaixonar por ele novamente, arrumar minhas malas e ir embora do país, mas precisava voltar à realidade, tinha acabado de comprar seu apartamento e daqui a seis horas, eu o veria mais. Mas a gente não manda no coração, infelizmente não me apaixonei. Não senti borboletas ou se quer tristeza por ele está indo. Fui até a cozinha e procurei algo para comer, a fome pós-sexo me consumia, e eu acho que mexer na geladeira do meu primeiro amor, depois de ter acabado de transar com ele, não seria invasão de privacidade ou falta de educação, abri uma lata de coca e esquentei um pedaço de pizza, sentei de frente para o balcão e vi as ligações perdidas, eu não sei por qual motivo idiota o Felipe me ligou, aliás, porque ele continua tentando falar comigo depois de três ligações perdidas e várias mensagens que não fiz muita questão de ler, marquei e exclui todas de uma vez. Se que o certo é sentar e conversar, mas depois do que eu vi, precisava realmente ser errada, não ia falar com ele agora, ou depois. O que eu vi foi suficiente para dispensar explicações.
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